Solidariedade com empregada que recebeu nota racista em vez de gorjeta

“Não damos gorjeta a pessoas negras” era a nota escrita no talão da conta do restaurante, deixada por um casal à empregada de mesa que os atendeu. Aconteceu durante o fim-de-semana na Virginia, Estados Unidos, e o episódio já gerou uma onda de solidariedade com a vítima da situação.

Kelly Carter, empregada de mesa afro-americana, teve uma surpresa durante este fim-de-semana quando recolheu o talão da conta de um casal que serviu no restaurante Anita’s New Mexico Style, onde trabalha. Os clientes em causa deixaram uma nota racista a Carter escrevendo que “o serviço foi bom” mas que não davam “gorjeta a pessoas negras”.

Nos Estados Unidos, dar gorjeta é uma prática regular e costuma rondar os 15-20% do valor total da conta, isto porque os empregados destes estabelecimentos recebem menos que o salário mínimo, sendo a gorjeta uma compensação pela diferença.

A história foi denunciada pela National Association for the Advancement of Colored People (NAACP), uma associação afro-americana de defesa dos direitos humanos que partilhou no Twitter a fotografia do bilhete.

Depois da partilha deste episódio racista, surgiu um movimento de apoio que veio reclamar o respeito pelos direitos humanos e condena actos de racismo como este. “[O cliente] não me magoou. Só se magoa a ele mesmo. Faz-me mais forte apenas”, disse Carter à BBC.

O sucedido deixou um sorriso na cara de Tommy Tellez, dono do estabelecimento, que à conta da situação vê agora o seu restaurante receber mais visitas do que o habitual. Inúmeras pessoas já passaram pelo restaurante para dar dinheiro a Carter ou simplesmente abraçá-la. Também foi aberta uma campanha da YouCaring – site de crowdfunding – que já angariou cerca de 300 dólares (cerca de 284 euros).

Tellez descreve à BBC o bilhete como “terrível, desanimador e ultrajante”, sem deixar de referir que Carter “aguentou a situação muito bem”. Kelly Carter não se deixou abater pelo sucedido e diz-se pronta para servir o casal novamente, caso volte ao restaurante. “Uma marca de ódio não é o suficiente para me parar”, afirmou.

Fonte: Público.pt

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