Estado Islâmico reivindica atentado na Champs-Élysées, em Paris

O medo voltou a visitar a França hoje quando um homem trocou tiros com a polícia na avenida mais importante de Paris e um dos cartões postais mais visitados do país, a Champs-Élysées. Faltando apenas dois dias para as eleições presidenciais, os franceses viveram novamente o clima de insegurança que o Estado Islâmico (EI) impôs nos últimos anos.

O ataque aconteceu por volta das 20h50 (15h50 em Brasília) e horas depois foi reivindicado pelo grupo extremista que já matou mais de 230 pessoas nos atentados realizados na França desde janeiro de 2015, quando os irmãos Said e Cherif Kouachi mataram 12 pessoas na sede do semanário satírico Charlie Hebdo.

Momentos de terror

O ataque a tiros desta quinta-feira (20) ocorreu ao ar livre, em um momento de grande fluxo de pessoas na avenida, situada no centro de Paris. De acordo com as primeiras investigações, um homem dirigindo um automóvel Audi estacionou junto a um furgão da polícia e abriu fogo contra seus ocupantes. Três agentes foram feridos, enquanto seus colegas reagiram ao agressor, que teria tentado fugir a pé antes de ser atingido.

Antes mesmo de a organização extremista sunita, que domina partes dos territórios do Iraque e da Síria, assumir a autoria do ataque, uma investigação foi aberta pela Seção Antiterrorista do Ministério Público de Paris – um sinal de que autoridades francesas não tinham dúvida de que se tratava de um ato com motivação terrorista.

A polícia isolou a Champs-Élysées e toda a região e iniciou operações que se multiplicavam em busca de supostos cúmplices. Informações sobre disparos levaram um helicóptero a sobrevoar a área utilizando canhões de luzes para buscar possíveis suspeitos, enquanto forças especiais do Grupo de Intervenção da Polícia Militar Nacional (GIGN) ordenaram aos jornalistas e pedestres na área que levantassem as mãos e se abrigassem no interior dos prédios próximos à avenida.

“Eu vi a cena instantes depois do tiroteio, com os policiais tentando se abrigar, enquanto os feridos estavam caídos no chão, já recebendo atendimento, com cobertores de sobrevivência”, contou à reportagem o fotógrafo publicitário Nicolas Ferrand Simonnot, “Tudo foi muito, muito rápido.”

Outra testemunha, falando à emissora BMFTV, indicou que o alvo do agressor seriam os policiais. “Eu ouvi seis tiros, mas pensei que fossem fogos de artifício. Nós olhamos todos para a rua e vimos uma pessoa escondida atrás de um furgão. Ele poderia ter nos atacado, na calçada, e matar mais pessoas, mas seu alvo era a polícia”, disse o jovem. “As pessoas choravam, todo mundo correu para todos os lados”, completou.

As lojas baixaram suas portas, mantendo em seu interior os consumidores e turistas por razões de segurança. Em paralelo, a identidade do assassino foi descoberta e levou a uma operação policial realizada na região de Seine et Marne.

“Nesta noite, às 20h50, um homem armado de um fuzil atirou contra a polícia na altura da loja Marks & Spencer. O terrorista foi neutralizado por tiros de revide da polícia. A identidade é conhecida, foi verificada e as investigações estão em curso, com operações para saber se houve cumplicidade”, informou no início da madrugada o procurador antiterrorismo de Paris, François Molins, que abriu investigação por crimes de homicídio e tentativa de homicídio em associação ao grupo terrorista Estado Islâmico.

Identificação

Segundo o comunicado divulgado pelo EI, um homem apresentado por seu nome de guerra – Abou Youssef al-Belgiki – teria sido o autor do crime. As primeiras investigações mostraram que trata-se de um homem nascido em 1977, com passagens pela polícia e objeto de uma “Ficha S”, uma investigação dos serviços de inteligência por radicalização e proximidade com grupos que pregam a jihad – a “guerra santa”.

Fonte: Correio da Bahia

Comentários