Temer afirma que não vai renunciar; PPS comunica saída do do governo

São Paulo – O presidente Michel Temer (PMDB) anunciou que não vai renunciar, mesmo após denúncia publicada na noite de ontem (17), que acusa, em delação do dono do frigorífico JBS, Temer de dar aval à compra do silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha. Temer confirmou o encontro com o empresário, mas negou as acusações de irregularidades.

Temer afirmou ter entrado com requerimento no Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a íntegra das delações feitas por executivos da JBS. Após pedido expedido ontem pela Procuradoria-Geral da República, o presidente passou a ser formalmente investigado.

O ambiente no Congresso, porém, é de isolamento e debandada das bases do governo, uma vez que a recomendação pela renúncia vem partindo desde ontem de integrantes da base. Em seguida ao pronunciamento, o PPS comunicou que a legenda deixará de compor o governo, em que ocupa os ministérios da Cultura (Freire, que já pediu exoneração) e da Defesa (Raul Jungmann, que ainda não informou sua saída). É esperado a qualquer momento anúncio da saída do PSDB.

Quero fazer uma declaração à imprensa brasileira e uma declaração ao país. Desde logo ressalto que só falo agora, os fatos se deram ontem, porque tentei conhecer, primeiramente, o conteúdo de gravações que me citam. Solicitei oficialmente ao Supremo Tribunal Federal acesso a esses documentos. Mas até o presente momento não consegui.

Quero deixar muito claro dizendo que meu governo viveu nesta semana seu melhor e seu pior momento. Os indicadores de queda na inflação, números de retorno ao crescimento da economia e os dados de geração de empregos criaram esperança de dias melhores.

Hoje mesmo as reformas avançavam. Ontem, contudo, a revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe de volta o fantasma de crise política de proporção ainda não dimensionada. Portanto, todo um imenso esforço de retirar o país de sua recessão pode se tornar inútil. E não podemos jogar no lixo da história tanto trabalho.

Houve o relato de um empresário que por ter relações com um ex-deputado, ajudava a família de um ex-parlamentar. Eu solicitei que isso acontecesse. Repito e ressalto. Em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silencio de ninguém. Por uma razão singela, porque não temo delação. Não preciso de cargo público nem foro especial. Nada tenho a esconder, sempre honrei meu nome.

Nunca autorizei que utilizassem meu nome indevidamente. Por isso quero registrar enfaticamente: a investigação pedida pelo STF será território onde surgirão todas as explicações. E demonstrarei não ter envolvimento com esses fatos. Não renunciarei.

Esta situação de dubiedade não pode persistir. Tanto esforço e dificuldades superadas. Meu único compromisso é com o Brasil. E só esse compromisso me guiará.

Fonte: Rede Brasil Atual

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