Alerta da Epagri foi emitido apenas três horas antes da formação completa do ciclone

A Epagri/Ciram emitiu um alerta sobre a passagem de um ciclone sobre Santa Catarina apenas às 18h deste sábado (3), três horas antes da formação completa do fenômeno que resultou em chuva forte e rajadas de ventos de 118 km/h em Florianópolis e provocou vários estragos em Florianópolis e em outras regiões do Estado.

O aviso com tão pouca margem de tempo se deu porque, incialmente, o ciclone estava previsto para se formar sobre os litorais de São Paulo e do Paraná. Segundo o meteorologista da Epagri/Ciram, Erikson de Oliveira, apenas a última atualização do modelo meteorológico - que é confirmado a cada seis horas -, previu a formação sobre Santa Catarina. “A princípio, o ciclone estava previsto para a região Sudeste. Apenas na última atualização, os modelos meteorológicos conseguiram prever essa mudança e tivemos pouca antecedência para o alerta”, justificou.

Por volta das 21h, o ciclone já estava completamente formado e começaram as rajadas de vento, que atingiram o pico de 118 km/h na região do aeroporto Hercílio Luz perto das 3h. Além de destelhamentos e quedas de árvores, mais de 200 mil unidades chegaram a ficar sem energia elétrica.

De acordo com Oliveira, o ciclone já está em deslocamento sentido leste, sobre o Oceano Atlântico, e as rajadas de vento não devem se repetir com a mesma intensidade. “O ciclone já está bem afastado, mas a variação de pressão ainda é grande, então os ventos continuam, mas não com a mesma intensidade da última madrugada, quando a região central do ciclone estava sobre Florianópolis”, ponderou.

A ventania deve continuar até o fim da manhã de segunda-feira e o início da tarde. O mar ainda deve permanecer agitado o dia todo e as ondas podem passar dos 2 metros.

Vendavais que começaram na madrugada deste domingo (4) causaram inúmeros estragos na Grande Florianópolis e outras regiões do Estado. Segundo a Defesa Civil do Estado, na capital catarinense os ventos chegaram a 118 km/h por volta das 4h40, próximo ao aeroporto Hercílio Luz. Além de destelhamentos e quedas de árvores, mais de 58 mil unidades consumidoras estavam sem energia elétrica na Grande Florianópolis até às 21h15 de domingo.

A maioria das ocorrências, segundo o Corpo de Bombeiros, ocorreu no Norte e Sul da Ilha, e corresponde a danos materiais. Há informações de árvores caídas sobre carros, casas e ruas nos bairros Campeche, Rio Tavares, Praia Mole, Lagoa da Conceição, Carianos, Barra da Lagoa, Centro, Carvoeira, Costeira, Agronômica, Praia da Solidão, Vargem Pequena, Trindade, Cachoeira do Bom Jesus, Ribeirão da Ilha, Tapera, Santa Mônica, José Mendes, Armação, Jurerê e Santinho.

Segundo a Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina), os ventos deixaram com problemas 20 alimentadores, de um total de 30. Até as 13h30, 15 já estavam em situação normalizada. Ainda conforme a companhia, os reparos foram finalizados em Itajaí por volta das 13h20. A Celesc informou ainda que a prioridade de atendimento ocorre em áreas onde há risco, como fios partidos, hospitais, clínicas, clientes com aparelhos especiais, entre outros.

Nas avenidas Mauro Ramos e Hercílio Luz, pontos de ônibus ficaram destruídos, sinaleiras intermitentes e desligadas, além de vegetação nas pistas. A entrada do IEE (Instituto Estadual de Educação) ficou bloqueada por uma árvore caída, enquanto o túnel Antonieta de Barros, também no Centro, ficou parcialmente sem iluminação. Na Via Expressa Sul, os semáforos estavam apagados, além de haver vários buracos na via. Na avenida Beira-mar, próximo ao Shopping Iguatemi, os semáforos não estão funcionando.

Na Lagoa, os Bombeiros receberam o aviso de que uma árvore havia caído sobre uma casa durante a madrugada na rua Afonso Luiz Borba, e outra havia sido destelhada nos Ingleses, na Travessa Rita Maria Garcia.

No Sul da Ilha, no Campeche e Rio Tavares, postos de gasolina estavam fechados até as 10h por falta de energia e queda de bombas de combustível por causa dos ventos. Na SC-405, diversos semáforos se mantêm desligados.

Na rodovia Doutor Antônio Luiz Moura Gonzaga, próximo à Pedrita, uma árvore estava caída sobre a via até esta manhã, deixando o trânsito em meia pista. No Campeche, uma árvore caiu sobre um carro e na Avenida Pequeno Príncipe um poste caiu sobre um bar, enquanto no Rio Vermelho várias árvores atingiram uma casa, na rua João Damas Marques.

No Carianos, um homem precisou ser atendido pelo helicóptero Arcanjo, do Corpo de Bombeiros, após ser atingido por um poste. No bairro, ainda houve destelhamento em casas e no estádio da Ressacada.

Uma força-tarefa para atender as ocorrências foi feita entre 20 bombeiros militares, cinco bombeiros voluntários, 10 militares do Exército e seis policiais ambientais.

Segundo o comandante do 1º Batalhão, Tenente Coronel Helton se Souza Zeferino , a maior parte das ocorrência atendidas são de desobstrução de vias em função de queda de árvores. Os principais bairros afetados, ainda conforme ele, estão do Sul da Ilha e na parte Central de Florianópolis.

O Comandante da 1º Região do Bombeiro Militar, Coronel César de Assunpção Nunes, participa da operação e afirmou que todos estão agindo de forma ordenada. “Vários pontos da cidade estão sem energia elétrica e com vias obstruídas. As prioridades são atendimentos de ocorrências com vítimas e liberação de todas as vias”, disse.

Uma Sala de Situação ainda foi criada no 1º BBM envolvendo Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Militar Ambiental e Defesas Civis Estadual e Municipal.

Por volta das 3h50 desta madrugada, a Defesa Civil do Estado registrou fortes rajadas de vento de quadrante Sul, especialmente entre a Grande Florianópolis e o Litoral Sul. Os vendavais foram ocasionados pelo deslocamento de um sistema de baixa pressão sobre a costa do litoral catarinense, avançado para alto mar.

Os acumulados de chuvas nas últimas 24 horas, por sua vez, superaram os 100 mm em vários municípios da Grande Florianópolis e Litoral Sul catarinense. A Defesa Civil alerta que, diante da previsão de continuidade das chuvas para às próximas horas, há risco para deslizamentos de terra, especialmente nos municípios de Imbituba, Garopaba, Florianópolis, Palhoça, Tubarão, Timbé do Sul, Nova Veneza,  São José, Antônio Carlos e Governador Celso Ramos.

O tempo se mantém instável no decorrer deste domingo e parte da segunda-feira (5), principalmente do Planalto ao Litoral. Segundo a Defesa Civil, a maior instabilidade deve ocorrer no Litoral Sul, Grande Florianópolis, Litoral Norte e áreas do Planalto Sul, com acumulados de chuva entre 10 e 30 mm, podendo ocorrer registros maiores isoladamente.

O vento persiste de quadrante Sul, mais intenso na área litorânea, de forma moderada com eventuais rajadas. Ainda conforme a secretaria, não há indicativos de chuvas intensas e rajadas fortíssimas de ventos nas próximas horas deste domingo. O alerta, no entanto, continua, já que o sistema de baixa pressão continua próximo à costa entre os litorais catarinense e paranaense.

PALHOÇA: vendaval provocou o destelhamento de casas e queda de árvores. No total, 40 casas foram afetadas e 160 pessoas afetadas. A Defesa Civil de Santa Catarina distribuiu três rolos de lona.

FLORIANÓPOLIS: A Capital registrou uma vítima, um homem que ficou ferido após subir em um telhado para fazer um reparo e caiu. No total, 150 casas foram atingidas e 650 pessoas afetadas diretamente. 40 pessoas precisaram de abrigo em em casas de parentes ou amigos.

SÃO JOSÉ: Deslizamento ocasionou a queda de um muro sobre uma casa que precisou ser interditada. Três pessoas foram desalojadas.

SÃO LUDGERO: Erosão das águas do rio fez com que seis casas fossem isoladas durante a madrugada. No total, 24 pessoas precisaram ser desalojadas.

IMBITUBA: Por causa do vendaval, quatro casas foram parcialmente destelhadas;  uma delas foi totalmente destelhada. A cobertura metálica de um posto de combustível ficou destruída. Queda de árvores. A chuva intensa também inundou uma rua e atingiu seis casas. Foram distribuídas lonas.

Até o momento 202 residências foram afetadas pelo evento.

Fonte: NDOnline

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