Dólar futuro afunda 1% em 30 minutos, peso mexicano bate mínima histórica e Ibovespa zera perdas com Trump

SÃO PAULO - O Ibovespa zera as perdas nesta quarta-feira (11), enquanto o dólar futuro afunda, em reação à primeira entrevista coletiva do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump (veja aqui). Às 14h58 (horário de Brasília), o índice operava praticamente no zero a zero, a 62.052 pontos, enquanto o contrato futuro do dólar perdia força: nos últimos 30 minutos, o dólar futuro caiu 1%, indo de R$ 3,243 para R$ 3,218.

Para Faria Júnior, diretor de câmbio da Wagner Investimentos, os mercados estão reagindo mais ao fato de Donald Trump estar concedendo uma entrevista coletiva do que propriamente ele ter dito algo no sentido. “Ainda é cedo para dizer que ele está mexendo no câmbio. Neste momento, o que dá pra dizer que os títulos de juros americanos de 10 anos estão caindo 3 pontos e o está mais fraco, o que colabora para o dólar perdendo força ante o real”, afirmou.

Lá fora, as bolsas de Wall Street retomam terreno perdido, após mergulho inicial com as falas de Trump. Todos os principais índices acionários: Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq operavam em leves ganhos. Forte reação também era acompanhada no peso mexicano, que atingia seu menor patamar histórico frente ao dólar, após o presidente dos EUA comentar que espera que a General  siga o mesmo exemplo que a Ford.

Essa reação oposta das moedas - enquanto o real ganha força frente ao dólar, o peso mexicano atinge seu menor patamar histórico - deve-se ao fato de que os investidores estrangeiros podem estar trocando México por Brasil em meio ao temor do "efeito Trump" na economia mexicana. No último ano, o peso registrou a pior performance entre as moedas mundiais, com queda de 20% sobre o dólar, em reação às eleições americanas.

Noticiário doméstico

Além dos destaques internacionais, o mercado acompanha o noticiário doméstico. A Polícia Federal pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a prorrogação do inquérito que investiga se os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva participaram de um acordo para obstruir a Operação Lava Jato (leia aqui).

No campo econômico, o dia também conta com os dados da inflação em dezembro e a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre o novo patamar da taxa básica de juros, hoje fixada em 13,75% ao ano. A maioria do mercado aposta em uma redução de 50 pontos-base, mas há quem espere uma redução de 75 pontos-base.

A inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 0,30% em dezembro -- abaixo da mediana das expectativas do mercado, de 0,34% --, conforme mostrou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta manhã. Com o resultado, o índice oficial de preços encerrou 2016 em 6,29%, abaixo do teto da meta, de 6,50% e também abaixo da mediana das projeções coletadas pela Bloomberg, de 6,34%.

Confira ao que se atentar neste pregão:

Destaques da Bolsa

Do lado acionário, os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) operam em leves ganhos nesta sessão, seguindo os preços do petróleo no mercado internacional, apesar de decepção com os dados de estoques nos Estados Unidos (veja aqui). Além disso, a estatal informou que sua produção média de petróleo no Brasil atingiu, em 2016, recorde histórico, alcançando a marca de 2.144.256 barris por dia, 0,75% acima do resultado do ano anterior e em linha com a meta prevista para o período. De acordo com o Itaú , a entrega das metas de produção pelo segundo ano consecutivo ajuda a gestão da companhia a adquirir confiança.

O movimento dos papéis da estatal destoam do petróleo, que tem dia de ganhos, com o barril avançando 0,94%, a US$ 51,30, enquanto o tipo sobe 1,19%, para US$ 54,28. Cabe lembrar ainda que o mercado fica de olho nos estoques semanais de petróleo nos EUA a serem revelados às 13h30. A expectativa é de uma alta de 1,5 milhão de barris de petróleo e de 2,75 milhões de barris de gasolina.

Após disparar 7% na véspera, as ações da Vale (VALE3; VALE5) seguem o rali após o minério de ferro negociado no porto de Qingdao registrar alta de 1,23% nesta quarta, cotado a US$ 80,41.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Fonte: InfoMoney

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