Impasse marca negociação entre supermercadistas e trabalhadores

O impasse nas negociações salariais entre trabalhadores e empresários do setor supermercadista na Capital poderá vir a ser solucionado pela Justiça do Trabalho. Pelo menos essa é a pré-disposição demonstrada por dirigentes do Sindicato dos Empregados no Comércio (SECCG), anunciada por meio de nota à imprensa na última quarta-feira. Por sua vez, entidades que representam os empregadores defendem a união dos dois lados no atual momento de crise econômica para que postos de trabalho não sejam extintos.

Nos últimos 20 anos as negociações salariais resultaram em ganhos para a classe laboral supermercadista que com certeza fazem inveja às demais categorias similares no âmbito do comércio local. Enquanto que a inflação no período medida com base no INPC somou 250,63%, os reajustes salariais somaram 421,05%, o que resultou em ganho real salarial de 171%. Isso sem levar em consideração outras conquistas estabelecidas por meio das convenções coletivas formalizadas.

Para este ano, o sindicato dos trabalhadores reivindica reajuste de 4,45%, que é o acumulado da inflação calculado pelo INPC com base nos últimos 12 meses. Por sua vez, os empresários apresentaram como contraproposta índice de 2,35% de reposição salarial, bem como a manutenção das demais cláusulas do acordo coletivo firmado no ano passado. Mais do que a correção dos salários, o que está em jogo na atual conjuntura é a manutenção dos postos de trabalho.

“Com a crise na economia, o faturamento caiu de maneira significativa, o que vem afetando a rentabilidade do negócio”, destacou Edmilson Veratti, diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios de Campo Grande (Sindsuper) e também presidente da Associação Sul-Matogrossense de Supermercados (AMAS), ao defender que tanto empresários quanto trabalhadores devem se unir para juntos superarem esse período de turbulência econômica.

“O momento não é para o embate e os trabalhadores devem observar que nos últimos 20 anos os reajustes salariais sempre foram concedidos bem acima dos índices inflacionários. Infelizmente, não temo como manter essa condição e estamos preocupados não apenas com a dificuldade para a concessão do reajuste, mas sobretudo com a possibilidade real de postos de trabalho serem extintos em função da crise”, acrescentou o empresário.

A crise econômica que vem prejudicando o setor produtivo nos últimos meses já ceifou milhares de postos de trabalho em todo o País. Na Capital a situação não é diferente. Na área central da cidade, de acordo com dados da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), 200 lojas estão fechadas no quadrilátero que compreende as ruas Rui Barbosa, Calógeras, e as avenidas Fernando Corrêa da Costa e Mato Grosso. Isso sem contar as salas existentes em prédios comerciais, o que pode ampliar esse número.

No caso dos supermercados, em Campo Grande a crise pode ser medida por meio das unidades fechadas nos últimos dois anos. Tiveram as atividades encerradas, com a conseqüente dispensa de centenas de trabalhadores, a unidade do Makro Atacadista na saída para Cuiabá, uma das filiais do Walmart no Shopping Center Bosque dos Ipês, duas unidades da Rede Comper e duas da Rede Maxxi atacado.

Em nota distribuída à imprensa na última quarta-feira (19), a diretoria do Sindicato dos Empregados no Comércio (SECCG) manifestou indignação com o que classificou como “ganância dos empresários que não querem abrir mão de seus elevados lucros para dividir uma pequena parte com os empregados”.

Para o advogado André Pagnoncelli, que representa o setor patronal, as negociações ainda não estão encerradas. “Isso só vai acontecer quando uma das partes provocar o Tribunal Regional do Trabalho, por meio do dissídio coletivo, o que ainda não aconteceu”, destacou. Até o fechamento desta edição, nenhuma ação havia sido ajuizada.Diante dessas propostas, prossegue a nota, “o sindicato resolveu suspender as negociações”, anunciando que deverá reunir a categoria em assembleia geral para decidir os rumos que empreenderá daqui pra frente.

Além disso, pontuou o advogado, “mesmo com o dissídio a primeira audiência se constitui em tentativa de conciliação. Dessa forma, não podemos afirmar que as negociações estão encerradas. Estamos trabalhando firmes no sentido de se obter um resultado consensual”.

Fonte: Portal do Jornal A Crítica de Campo Grande/MS

Comentários