Exames iniciais atestam oito mortes por febre amarela

A febre amarela é a causa provável de oito mortes em Minas Gerais, de acordo com balanço divulgado nessa quarta-feira (11) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). A pasta tinha sido notificada de 14 óbitos suspeitos, e oito tiveram exames laboratoriais preliminares positivos para a doença. O número de casos em investigação subiu de 23 para 48, conforme o Estado. Os dados, no entanto, são diferentes dos contabilizados pelos municípios.

De acordo com a SES, as mortes ainda são consideradas prováveis porque há necessidade de conclusão da investigação e contraprova laboratorial. A pasta não deu informações sobre as vítimas ou os municípios onde aconteceram os óbitos, que se concentram em quatro unidades regionais do Estado – Governador Valadares, no Rio Doce, Coronel Fabriciano, no Vale do Aço, Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, e Manhumirim, na Zona da Mata.

Segundo a SES, foram notificados casos de febre amarela em 15 cidades mineiras – a novidade da lista é Setubinha, no Vale do Mucuri, com um registro suspeito. Malacacheta, na mesma região, que já estava na lista de alerta, também tem três notificações.

Divergências. Um decreto a ser publicado nesta quinta-feira (12) pelo governo de Minas criará a Sala de Situação, que vai monitorar os casos de febre amarela no Estado. De acordo com a SES, um dos objetivos é minimizar as diferenças de números de notificações em relação aos municípios, que acontecem por causa do procedimento padrão – ao atender um paciente com sintomas da doença, o posto de saúde repassa a informação ao município, que comunica a gerência regional de saúde, que, por sua vez, a transmite ao Estado.

Para o diretor da Sociedade Mineira de Infectologia, Carlos Starling, esse controle por parte do Estado é fundamental. “Muitos prefeitos estão assumindo agora, a estrutura administrativa dos municípios ainda é muito frágil, e alguns estão completamente falidos. O Estado tem que dar todo o suporte e fazer um acompanhamento de perto desses casos, garantindo a confirmação da causa, porque existem outras doenças que têm sintomas semelhantes nesta época do ano, como a dengue e a leptospirose”, pontuou.

A microrregião de Caratinga, por exemplo, que inclui as cidades de Imbé de Minas, Piedade de Caratinga e Ubaporanga, totaliza 23 casos em investigação, conforme a SES. Mas esse número chega a 79, segundo o secretário de Saúde de Caratinga, Giovanni Corrêa, que afirmou haver oito óbitos suspeitos, sendo que quatro já tiveram o primeiro exame positivo para febre amarela. “Em função do quadro clínico dos pacientes e desse resultado, certamente os exames serão positivos para a doença”.

Segundo ele, a cidade recebeu nessa quarta-feira (11) 8.000 novas doses de vacina contra a febre amarela, que estão sendo distribuídas principalmente na zona rural e em postos de saúde. A intenção é vacinar 50% da população do município, que corresponde a cerca de 45 mil pessoas.

Ladainha, no Vale do Mucuri, tem o maior número de casos em investigação do Estado – são dez, de acordo com a SES. Contudo, a prefeitura, que já decretou estado de calamidade pública por causa da doença, contabiliza 28 registros suspeitos, com dez mortes. “Chegaram para mim 3.600 vacinas hoje (11), as equipes estão fazendo mutirão na zona rural de casa em casa, e na zona urbana concentramos a vacinação em uma quadra poliesportiva”, afirmou o prefeito Walid Nadir Oliveira. Segundo ele, a cidade recebeu o apoio de cerca de 20 profissionais do Estado nessa quarta-feira (11).

Ausência. A Secretaria de Estado de Saúde está sem coordenadoria de imunização desde 2 de janeiro, quando a responsável solicitou desligamento. Enquanto o novo nome não é escolhido, a equipe técnica está sendo assistida e orientada por outras áreas da pasta, como a Diretoria de Vigilância Epidemiológica.

Vacina. O Ministério da Saúde encaminhou nessa quarta-feira (11) 285 mil doses a Minas, e, nesta quinta-feira (12), serão enviadas outras 450 mil, totalizando mais de 1 milhão de doses no estoque do Estado. A pasta informou que a prioridade da vacinação imediata deve ser de pessoas que vivem em áreas rurais dos municípios com casos suspeitos ou que nunca se imunizaram.

Recomendação. A Organização Mundial de Saúde recomenda a vacinação e não emitiu restrição de viagem ou comércio com países em surto.

A Prefeitura de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, decretou situação de emergência nessa quarta-feira (11) em função dos casos de febre amarela. O decreto autoriza o município a desenvolver ações urgentes para medidas de prevenção.

“Queremos garantir uma estrutura melhor no atendimento das pessoas. Já estamos trabalhando no bloqueio da doença e realizando a vacinação nas áreas mais endêmicas da zona rural, que fazem fronteira com o nosso município”, afirmou o prefeito Daniel Sucupira, em reunião realizada sobre o combate à febre amarela.

Entre as medidas anunciadas, estão agilizar a distribuição das vacinas, ampliar os leitos nos hospitais, verificar a situação dos animais silvestres, realizar mutirões de limpeza e aumentar a frota de veículos para distribuição de vacina.

Em Santa Luzia, na região metropolitana da capital, a Secretaria Municipal de Saúde adotou o rodízio de vacinas nos 23 postos para tentar atender um número maior de pessoas e evitar o desperdício. Depois de aberta, a vacina, que vem em frascos de cinco ou dez doses, só é válida por seis horas. Como a procura em um posto às vezes é inferior a esse número, a medida foi adotada.

Nessa quarta-feira (11), a reportagem esteve em quatro postos de saúde, na capital e em Contagem, na região metropolitana, e constatou filas pequenas em busca da imunização. A espera não ultrapassava uma hora, muito em função do preenchimento dos dados dos pacientes. Até mesmo no centro de saúde do bairro Campo Alegre, na região Norte, onde o estoque havia zerado na segunda-feira, o funcionamento estava normal depois que as doses foram repostas. A maioria das pessoas que estavam nas filas ia viajar para regiões afetadas do Estado, como a gerente de vendas Maria Geralda de Carvalho, 51, que vai para Caratinga, no Rio Doce. “Estava com a vacina vencida há dez anos. A gente fica tão preocupa hoje em dia com zika vírus e dengue que acaba se esquecendo das outras doenças”, disse. Ela esteve nessa quarta-feira (11) no posto do Eldorado e não teve problema para ser imunizada.

A Prefeitura de Belo Horizonte confirmou o aumento na procura pela vacina, mas garante que todos os 150 postos de saúde estão abastecidos com cerca de 51, 7 mil doses. A Secretaria de Saúde de Contagem informou que a vacinação ocorre em 48 postos e que, desde segunda-feira, de 200 a 250 pessoas passaram por eles. (Gláucio Castro/Especial para O TEMPO)

Fonte: O Tempo

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