Que vale mais? Amigos ou família?

Dois estudos publicados esta semana pelo mesmo autor demonstram que, à medida que o tempo passa, os parentes vão perdendo seu peso em determinar nosso bem-estar e os amigos vão se tornando cada vez mais importantes em nossa sobrevivência.

O psicólogo e pesquisador William Chopik, da Universidade de Michigan, entrevistou 271 mil pessoas entre 15 e 99 anos, de cem países diferentes, sobre seus relacionamentos e os comparou com seu estado de saúde e felicidade. Descobriu que, à medida que envelhecemos, os amigos vão se tornando as figuras mais importantes no suporte psicológico e no combate a doenças crônicas. Familiares mantêm sua importância durante toda a vida, mas na velhice apenas a amizade é um fator preditivo de felicidade e boa saúde.

Em um segundo estudo, o doutor Chopik avaliou o bem-estar e a saúde de 7,5 mil adultos com mais de 50 anos, na maioria entre 60 e 80 anos, e analisou o papel dos amigos no aparecimento e controle de doenças crônicas. Os solteiros, sem amigos e de baixa escolaridade, são os que sofrem mais doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e artrose e mais sofrem com elas.

Após os 60 anos, a importância dos amigos em manter nossa saúde aumenta exponencialmente.

O autor acredita que amigos são selecionados durante a vida, e ficamos apenas com os que realmente fazem diferença. Amigos também são importantes em situação de viuvez e quando as pessoas não se apoiam na família em momentos de tristeza ou necessidade. Amigos também auxiliam a não sentirmos tanta solidão quando nos aposentamos e precisamos mudar o ambiente de convívio social.

O ambiente familiar com o cônjuge e filhos pode ser harmonioso e gerar ganhos afetivos frequentes, mas, como parente não se escolhe, nem sempre tudo são flores, e não se pode escapar quando o conflito ou a disputa ocorrem em casa. Parentes mais distantes como primos e tios não exerceram qualquer influência na sensação de bem-estar das pessoas.

Quanto aos amigos, nenhum estudo até hoje havia demonstrado sua importância no bem-estar das pessoas. Frequentemente, amizades são vistas como fatores de redução da saúde, pois os hábitos de fumar e beber, por exemplo, ocorrem nas fases de iniciação do convívio em grupos durante a adolescência.

Existem estudos que mostram que, quando fazemos dieta, nossos parceiros perdem peso conosco; infelizmente, quando abusamos da comida, esse efeito se repete. Também está demonstrado em estudos que sentimentos de alegria, tristeza, felicidade e solidão tendem a se alastrar em relacionamentos, incluindo as redes de amigos, até nos ambientes de mídia. Por isso, ficamos mal de espírito com tanta notícia ruim nas redes sociais.

Se você quiser ter saúde e ser feliz enquanto idoso, nutra amizades. São nossos amigos de verdade que estão ao nosso lado nos momentos de tristeza e doença. Os filhos crescem e desaparecem, os amigos verdadeiros permanecem.

Fonte: CartaCapital

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