Entrada de arma e celular em prisão do Tocantins tem tabela de preço

No Tocantins, quem trabalha no presídio da capital convive com um comércio que tem tabela de preço e tudo.

Celulares, drogas e facas artesanais já eram comuns nas prisões do Tocantins. Durante uma revista, no fim de dezembro, um policial encontrou uma arma num buraco dentro de uma cela.

Um funcionário da Umanizzare, que pediu para não ser identificado, diz que existe uma tabela de preços para a entrada de objetos proibidos no presídio de Palmas.

“Todo dia praticamente tem os presos que oferecem em torno de R$ 2 mil, R$ 3 mil para colocar um celular para dentro do sistema para eles. Celular, inclusive arma de fogo, para eles se preparar para uma futura briga entre facções. Arma de fogo em torno de R$ 5 mil, R$ 6 mil eles oferecem para colocar a arma, e sempre acaba entrando”, afirma.

A empresa administra a Casa de Prisão Provisória de Palmas, onde ficam os detentos que esperam julgamento, e um presídio em Araguaína, no Norte do estado, para os já condenados.

Segundo o funcionário, os chamados agentes de socialização, funcionários da Umanizzare, cuidam dos presos sem ser fiscalizados, o que facilita a corrupção.

“Esse tipo de esquema sempre teve. Dentro da empresa sempre teve. Sempre tem aquele que se vende por R$ 2 mil, R$ 3 mil, R$ 4 mil para colocar um celular ou droga dentro do sistema penitenciário”, conta.

Para a Polícia Federal, a empresa, que atua desde 2011 no Tocantins, faz segurança privada sem autorização. A Umanizzare e o governo do estado negam.

O governo do Tocantis afirma que policiais controlam os presos e promete punição para qualquer irregularidade.

“Algum servidor que for identificado passando algum objeto ilícito vai ser automaticamente afastado, encaminhado à Corregedoria de Polícia e responderá criminalmente pelos seus atos”, disse Darlan Corrêa, superintendente do Sistema Penitenciário do Tocantins.

A Umanizzare vai receber em 2017 R$ 45 milhões para cuidar das duas unidades. Cada preso gerenciado por ela custa por mês R$ 4.100 para os cofres públicos, quase o dobro do que o estado investe nas cadeias que ele administra (R$ 2.150).

O Ministério Público quer que o governo do Tocantins assuma a responsabilidade por todos os presídios.

“Não se pode possibilitar o trabalho com reeducandos de pessoas que não têm nenhuma formação policial e são contratadas pelo Sine”, afirma o promotor de Justiça Alexandre Siqueira.

A Umanizzare declarou que faz uma seleção rigorosa dos funcionários contratados, que adota as medidas necessárias quando constata falhas nos procedimentos e que o controle das prisões é feito em parceria com a polícia, responsável por vasculhar as celas.

O governo do Tocantis afirmou que desde 2015 tem preparado a estatização da gestão das prisões e que até o fim do mês vai divulgar o resultado do concurso de servidores para trabalhar no sistema.

Fonte: Globo.com

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