Rodada de negociação entre trabalhadores de TI de SP e patrões termina sem acordo

Na primeira rodada de negociações da Campanha Salarial 2017 dos trabalhadores de TI de São Paulo, o que se viu foi uma tentativa do setor patronal de achatar salários e reduzir direitos. Além de praticamente ignorar todas as reivindicações apresentadas pelo Sindpd (Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo), os dirigentes patronais ainda apresentaram como contraproposta um reajuste salarial de apenas 3,5%, a metade da inflação de 2016.

A primeira rodada de negociações da Campanha Salarial 2017 dos trabalhadores de TI de São Paulo, realizada na terça-feira, 10, na sede do Seprosp (Sindicato das Empresas em Processamento de Dados e Serviços de Informática do Estado de São Paulo), terminou sem acordo com o Sindpd (Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo). Diante disso, foi marcado um novo encontro para o dia 19 de janeiro.

A contraproposta apresentada pelo setor patronal de reajuste salarial de 3,5%, que também inclui um abono de 10% a ser pago em outubro, ficou muito abaixo do pedido pelo sindicato dos trabalhadores de TI. O Sindpd pleiteia o acumulado do INPC de 2016 acrescido de 3% de aumento real.

Para o presidente do Sindpd, Antonio Neto, ao apresentar um reajuste salarial que cobre apenas a metade da inflação de 2016, o setor patronal, na prática, propõe uma redução de salário dos trabalhadores, o que, para ele, é inadmissível. "Isso é insuficiente. Nós só começamos a conversar com a inflação na mão. O que deu acordo no ano passado foi ter chegado aos 10,67% [de reajuste], senão não teríamos acordo", afirmou.

O Sindpd diz que a proposta da Comissão de Negociação do Seprosp contrasta com o comportamento do setor de TI. O Sindicato observa que o segmento de TI é um dos que se mantêm mais ativos no país, e cita dados da última pesquisa mensal de serviços, divulgados pelo IBGE em dezembro, os quais mostraram que até outubro o segmento de TI registrou crescimento tanto no volume de negócios quanto na receita nominal. O Sindpd cita ainda levantamentos de consultorias especializadas, como o Gartner, que aponta que os gastos globais com TI devem crescer 2,9% neste ano.

Além da proposta de reajuste salarial muito abaixo da inflação, o Sindicato diz que o Seprosp rejeitou todas as demais demandas feitas pela categoria, o que inclui a redução da jornada de trabalho de 40 horas para 30 horas semanais, o pagamento de vale-alimentação, o custeio integral do plano médico, a ampliação no valor das horas extras, entre outros pedidos.

O Sindpd alega também os representantes patronais apresentaram uma série de demandas que reduzem benefícios conquistados pelos trabalhadores de TI em anos anteriores. Segundo o Sindicato, a comissão do Seprosp propôs redução no valor da multa que é paga pelas empresas em caso de atrasos salariais, mudanças nas negociações que envolvem o pagamento da PLR (Participação nos Lucros e/ou Resultados), descontos no pagamento do vale-refeição e alterações até no custeio da assistência médica.

Segundo Neto, essas cláusulas são imexíveis do ponto de vista de garantia dos direitos. "Podemos, sim, alterá-las, mas desde que seja para ampliar os ganhos para os trabalhadores, jamais para reduzi-los", completou.

- Reajuste salarial equivalente ao INPC de 2016 mais 3% de aumento real;

- Redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais sem diminuição de salários;

- Pagamento integral de plano médico, hoje custeado em 70% pelos trabalhadores;

- Hora extra de 100% nas duas primeiras horas e 150% nas demais e finais de semana;

- Auxílio-creche de 50% para crianças de até 72 meses (hoje é 40%);

- Seguro de vida equivalente a 30 pisos salariais;

- Garantia de reembolso de km para trabalhadores que usam os próprios veículos;

- Custeio de bolsa de estudo para qualificação profissional.

- Reajuste salarial de 3,5% acrescido de abono de 10% pago em outubro;

- Manutenção da jornada de trabalho em 40 horas semanais;

- Redução da multa para empresas que atrasam salários;

- Desobrigação de continuidade da PLR para empresas que já pagam o benefício;

- Desconto do vale-refeição em caso de faltas ou ausências dos trabalhadores;

- Cobrança de coparticipação em planos de saúde e também dos procedimentos;

- Rejeição a todas as demais propostas feitas pelo Sindpd.

Fonte: Computerworld

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