BC faz terceiro corte seguido e baixa taxa básica de juros para 13% ao ano

O Banco Central reduziu a taxa básica de juros da economia em 0,75 ponto percentual para 13% ao ano. Foi o terceiro corte seguido nos juros.

A maioria dos economistas previa uma redução menor, de meio ponto percentual.

O Banco Central considerou que a retomada da economia vai ser mais demorada e gradual do que se esperava. E como a inflação está em queda é possível cortar os juros mais rapidamente.

Mas o juro real, no Brasil, ainda está no topo do mundo. E a torcida é forte para que isso acabe.

Será que agora engrena? A economia brasileira está meio como o carro da Karin.

“Estourou o escapamento médio, caiu um pedaço de metal dentro do tambor e ele fica falando claing claing a cada saliência do asfalto”, disse a redatora Karin Esteves.

Mas falta dinheiro para comprar um carro novo à vista e coragem para comprar a prazo.

“O juro come por uma perna. Então acho perigoso, perigoso se endividar”, disse.

Mas quem sabe agora, Karin, que a taxa de juros caiu de 13,75% ao ano para 13% ao ano.

São duas boas notícias no mesmo dia para acelerar nossa economia. A inflação caiu e o juro caiu junto, mas repare: a distância entre os dois permanece mais ou menos a mesma. Essa diferença entre a taxa de juros definida pelo Banco Central e a inflação é o chamado juro real, ou seja, os juros que realmente o consumidor paga. E nessa corrida, o Brasil é o pole position.

Num levantamento feito com 40 grandes economias, o Brasil ainda tem o maior juro real do mundo. Em seguida, vem a Rússia, com mais ou menos a metade do nosso percentual. Depois Colômbia, China e México.

“Nós temos uma história de dívida muito alta, uma história de inflação muito alta, uma indexação muito grande que foi reestabelecida infelizmente nos últimos anos. Nós temos um custo que os economistas chamam de um custo de fazer um negócio, fazer uma transação muito elevado. Todas essas coisas atrapalham que os juros sejam mais baixo”, explicou Luiz Fernando Figueiredo, economista da Mauá Investimentos.

O juro real, que é a diferença da taxa básica da economia descontada a inflação do ano, também é referência para a remuneração que os investidores ganham ao comprar títulos vendidos pelo governo, que usa o dinheiro que recebe para pagar seus gastos.

“Se temos uma taxa de juros muito alta inibe o investimento. Um investidor vai preferir no curto prazo manter na segurança de uma renda fixa do que efetivamente colocar numa economia real. Se no futuro nós tivermos uma taxa de juros mais baixa, isso é um incentivo ao investidor buscar a economia real e gerar empregos, gerar novas fábricas, novas plantas e novos investimentos”, disse Jason Vieira, economista da Infinity Asset.

Mas, por enquanto, os juros reais seguem altos, para manter a inflação sob controle. Mais ou menos como a água que a Karin põe no radiador para que o motor não esquente demais.

“Apesar de tudo, o carro está andando, me leva para onde eu quero”, afirma Karin.

Fonte: Globo.com

Comentários